clara maria
Quando tento linearizar cronologicamente aonde "tudo começou", eu sempre penso em mim, aos 17 anos, com a decisão de parar com a pílula anticoncepcional e me aprofundar nos estudos sobre ciclicidade natural. Ter entendido e reclamado a sabedoria do ciclo menstrual como um processo espiritual foi minha primeira grande revolução interior e porta de entrada pro feminino selvagem, sabedoria essa que sempre retorno e me aprofundo mais a cada ciclo desde então.
Aos 18, buscando sair do estilo de vida sistematizado e institucionalizado a qual somos automaticamente direcionados, decidi não fazer faculdade e fui pra fora do país. Passei alguns meses na Austrália e naquele país de natureza tão forte e abundante, relembrei meu amor por ela e minha necessidade gritante de contato com o mundo natural. Depois, passei um período morando numa tribo nativa Tailandesa no meio das montanhas, e isso serviu pra reforçar ainda mais o amor pela vida selvagem e relembrar os valores que estão tão esquecidos no mundo atual.
Aos 19, morei em Franca - SP na tentativa desastrosa de fazer um cursinho pré vestibular, o que só me deixou profundamente deprimida até ter a certeza de que meu propósito de vida não estava em seguir o formato de estudo e mercado de trabalho tradicional. Por benção do destino, nessa cidade tive meus primeiros contatos com centros holísticos e espiritualistas, onde realizei diversos estudos iniciais e formações fundamentais para o meu entendimento básico sobre crenças, emoções e espiritualidade de forma geral, especialmente através do Thetahealing. Trabalhei na área por um curto período realizando atendimentos até descobrir que estava grávida e naturalmente começar a me inclinar mais para a vivência da gestação.
Durante a gravidez fiz uma formação em ginecologia natural com a médica Bel Saide, e aprofundei meus estudos sobre vaporização do útero com a fito terapeuta Mariana Campos.
Aos 20 anos meu filho nasceu e é verdade o que dizem: quando um filho nasce, você morre e nasce de novo. Vivi exclusivamente pela maternidade e amamentação durante 1 ano e meio, e mais uma vez a ótica sobre parto/puerpério/amamentação como um processo espiritual feminino se fez presente. Meu filho me fez renascer pra criatividade artística e todo esse período foi de criação intensa, ainda que caótica, cantando, escrevendo e dançando como nunca antes.
Aos 22 retomei a fazer atendimentos e aos 23 iniciei meu canal no youtube, compartilhando reflexões e aprendizados sobre o que eu já havia vivido até então. Foi nesse período que comecei a estudar com o professor Hélio Couto.
Aos 24 anos passei pelo que eu poderia chamar de Iniciação. Minha vida inteira foi arregaçada e minha luta pra costurar os pedaços foi o que transformou e refinou por completo minha conexão com a espiritualidade. Joguei fora tudo que eu achava que sabia e me desconectei de praticamente tudo que eu fazia até então... todos os terapeutas que eu conhecia, todos os cursos, livros, egrégoras, tudo... joguei fora (com exceção aos estudos com o professor Hélio, a prática de vaporização do útero e os saberes cíclicos femininos). O que restou foi minha confiança em Cristo, na terra e no meu corpo. Nenhuma teoria jamais me daria 1% da experiência que eu adquiri nesse período.
Aos 25 eu iniciei uma mentoria de liberação somática corporal e pélvica com a norte-americana Caytlyn Dee, integrante de linhagem xamânica feminina. No mesmo ano fui recebida em sua casa nos Estados Unidos para um retiro individual que me trouxe o entendimento absoluto da sacralidade sexual feminina e mudou minha vida para sempre.
Também aos 25 lancei meu primeiro álbum musical chamado Inside, que foi produzido de forma completamente intuitiva e independente durante 1 ano, depois de ter recebido orientação divina pra me envolver com a música de alguma forma. O período de produção foi um grande presente de alegria e espontaneidade que abriu de vez as portas da minha criatividade artística.
Aos 26 anos refiz todos os níveis do reiki na escola Aoki Gakkai, em São Paulo, que tem foco em pesquisa sobre a tradição real ensinada por Mikao Usui e na correção de distorções posteriores que aconteceram (e continuam acontecendo) no ocidente.
Também aos 26 fiz a construção do meu tambor nativo em cerimonia com a tamboreira Mariana Bonato. Essa medicina sonora tem me acompanhado desde então de forma surpreendentemente potente, ressignificando totalmente e aprofundando minha relação com a música e com seu poder de condução/transformação energética.
Aos 27 lancei novas músicas e meu primeiro livro, Veneno e Medicina, um compilado de poesias escritas ao longo de 8 anos da minha vida que reúne temas como dor, desejo, sombra, espiritualidade, natureza e feminilidade.
